Ontem, enquanto fazia o jantar, a minha filha sem querer, pisou-me no dedo de um dos meus pés de tal forma, que foi impossível não dar um grito de dor.
Muito aflita pela minha reacção, imediatamente disse: "Mamã, desculpa!".
Eu respondi que estava desculpada, que sabia que tinha sido sem querer, mas eu continuava a gemer de dor.
E ela voltava a dizer: Mãe, desculpa, desculpa!
Ao que eu lhe disse: Filha, a mãe já te desculpou, mas a verdade é que ainda me dói, querida!
Na sua inocência infantil, ela entendia que ao pedir desculpa, a minha dor passaria de imediato.
O facto de eu a ter perdoado, não me libertava dos efeitos da dor causada pela pisadela.
Tão pouco a dôr que causamos a outros, por meio de palavras ou atitudes, desaparece de imediato com um pedido de perdão.
Por vezes leva tempo a sarar. Dependendo dos seus efeitos.
Damos ou recebemos perdão, mas a dor ainda leva algum tempo até desaparecer por completo.
O ideal seria não magoarmos ninguém, intencionalmente ou não, porque as marcas dessas feridas, muitas vezes, levam mais tempo a passar, do que a dor física.
E quanto mais um coração for amargurado, mais tempo leva a libertar-se.
A amargura é um veneno que contamina e afecta tudo à nossa volta, inclusive o que sai da nossa boca.
Por isso, temos de tomar atenção ao que fazemos, ao que dizemos e que pode magoar, muitas vezes, pessoas que amamos muito.
Sabemos que o amor tudo sara.
No entanto, é preciso usá-lo.
O perdão liberta, mas o amor, cura.
No poder de um abraço forte e estendido.