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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Adoptar II

Na sequência do tema desta semana sobre a adopção, vou republicar um texto que escrevi em Janeiro deste ano.

Foi ela quem me adoptou! 

Desde que adoptei a minha filha, que uma das coisas que de certa forma me afligia, era a reacção dela quando soubesse.
Sempre achei que teria facilidade em lhe contar, até que desde cedo, quando começaram a surgir as primeiras questões, que o meu coração se contraía em procurar dar-lhe uma resposta honesta e de acordo com a idade dela.
Procurei sempre dar-lhe respostas de acordo com a idade e entendimento dela.
Quando pela 1ª. vez me perguntou se ela tinha bebido leite das minhas maminhas, senti um baque forte.
Respondi na altura que não, que tinha bebido leite do biberon, que eu nunca tinha tido leite, sem adiantar muito mais.
Depois, quando surgiu a questão se ela tinha nascido da minha barriga, outro baque.
Eu erguia os meus olhos pra cima e dizia:
- Meu Deus, tão cedo estas questões! Ajuda-me!
Não estava preparada ainda.
E respondia-lhe que ela tinha nascido do desejo do meu coração.
Entendi que a minha filha deveria saber desde sempre a verdade, apesar de algumas pessoas discordarem de mim. Mas percebi que me custava falar-lhe.
Não concordo em andar a mentir durantes anos, para depois sentar a minha filha com 7, 8 ou 9 anos ou mais velha ainda, para lhe dizer que é filha adoptiva.
As crianças gostam e precisam que sejamos verdadeiros com elas, para ganharem confiança nos pais e nelas próprias.
Quero que a minha filha responda que sempre soube que é filha adoptiva.
No entanto, o meu coração de mãe várias vezes se apertava com tudo isto, pelo facto de a amar tanto e recear o que o seu coraçãozinho poderia sentir.

À uns meses atrás, ela falava de um amiguinho seu que tinha nascido nos Açores.
Na continuação da conversa, disse-lhe que ela tinha nascido na Maternidade.
E ela responde:
- Não, mamã, eu nasci do teu coração!
Então, percebi que aquele era o momento para contar tudo com mais detalhe.
Expliquei-lhe com mais pormenor tudo.
De uma maneira informal, enquanto caminhávamos, contei-lhe como as coisas se tinham passado.
Respondi-lhe depois a todas as questões que ela me colocava.
Naquele momento, sentia como se as respostas me surgissem como que sussurradas.
Depois de todas as dúvidas esclarecidas, no fim da nossa conversa ela vira-se para mim e diz-me:

- Mamã, tu és linda! Com o sorriso mais lindo que ela faz!

Então, todos os meus receios ou dúvidas que eu sentia de que a pudesse magoar ou estar errada em ser tão verdadeira com ela, caíram por terra!
As lágrimas soltaram-se, como uma expressão da minha alegria, por me sentir tão abençoada por aquela filha linda que Deus me deu e por tudo aquilo que através dela, eu aprendo.
Tive a certeza de que optei pelo melhor caminho: a verdade, com muito amor!

27 comentários:

Georgia disse...

Vilma, que momento sublime esse pelo qual você passou. Sabe como eu o chamo?
O momento do nascimento. Sim querida, foi um parto que você teve naquele momento e um novo nascer no coracao de vocês duas.

Obrigada por dividir conosco suas experiências.

Um grande abraco

Vilma disse...

Georgia: É verdade! Foi um parto maravilhoso sem dúvida!
Eu já tinha escrito este texto, mas como esta semana estamos a falar e a partilhar experiencias, resolvi republicar.
Tenho lido outras histórias lindas também e é neste quinhoar, que crescemos uns com os outros.
um grande abraço para ti! :))

CrisR disse...

Vila, eu nao te conheço pessoalmente...mas sabes, eu também acho que és "uma mamã linda". :)
A tua filha tem um grande previlégio em ter-te como mãe.

Vilma disse...

Cris: Aprendemos a ser mães, sendo! :)
E eu é que me sinto muito, mas mesmo muito abençoada!
Um beijinho. :))

E o pensamento voa... disse...

Vilma querida,

Cada adoção é única, assim como cada filho é único!

Mas, na minha mais modesta opinião, um ponto que todas têm em comum, é a hora da verdade. Esta hora é crucial para que nossos filhotes sempre confiem em nós!

Achei lindo que você contou para sua filha, e tenho certeza de que Deus te orientou com as palavras que usou naquele delicado momento.

Como meu filhote mais velho já estava grandinho, e nunca havia perguntado "nada", eu comecei por contar a ele a história de Moisés...e disse que ele também havia chegado para mim em um cestinho!

E então a conversa fluiu, com muita calma, muito amor, e acima de tudo muita verdade.
Tenho certeza de que meus filhos têm muita confiança em mim e no amor que sinto por eles!

Que Deus te abençôe, linda!

Gostei muito de ler tua história!
Uma beijoca carinhosa,

Neli

Vilma disse...

Neli, bonito usares a história de Moisés para explicar ao teu filhote.
Eu acredito e é isso que temos experimentado como familia, que quando tudo é feito com amor, todas as dificuldades e receios caem por terra.
O amor tudo vence! :)
Um abraço e obrigada pela partilha Neli!
Bençãos de Deus sobre ti!

de dentro pra fora.... disse...

Mais uma vez se provou que tudo tem a sua hora e momento certos, quem sabe se tivesses contado antes ela poderia não ter a mesma capacidade para entender, eu também acho que o melhor mesmo é a verdade e então se pudermos 'esperar' pelo momento adequado melhor ainda :)

beijinho as duas

Vilma disse...

De dentro pra fora:
O que fiz foi ir contando à medida do seu entendimento. Naquele momento, achei que era hora de ir mais à frente.
Agora, apenas falo quando ela aborda o assunto ou como sucedeu este mês, ao celebrar a chegada dela a casa, falar da alegria e de como vivemos esses momentos com alegria.
Todos os receios que eu sentia desapareceram! :)
Deus é bom!

Espaço Mensaleiro disse...

Lindo!

Celia disse...

Oi Vilma, muito bonito seu depoimento em relacao a sua filha. Eu senti o mesmo com relacao a minha, que tb é adotada. Somos maes felizes e agradecidas a Deus. Um beijo

Marlene Maravilha disse...

Minha querida,
Isto nada mais é do que uma verdadeira história de amor e nascimento, brotando do coracao!
Também sou a favor da verdade sempre!
Linda e comovente história! Beijo nas duas e o meu carinho.

Nina disse...

Você agiu mt corretamente Vilma, as coisas tem que ser contadas assim, devagar, obedecendo o entendimento e o ritmo próprio da crianca. Vc agiu mt bem! e que linda a sua filhinha :)

Cristina disse...

Que benção, Vilma.
Chorei agora mesmo ao reler as palavras da tua menina maravilhosa! E as tuas palavras também.
És uma mulher de grande coração!
Uma Mãe maravilhosa!

Um beijo.

Vilminha disse...

Oi Vilma, adorei sua visita e vim aqui conhecer você e a sua casa e fiquei maravilhada com sua vivência de mãe, com sua presença e seu amor materno, ser mãe é muito mais que conceber um filho, isto é uma das verdades e das sabedoria de Deus. Te convido a me visitar mais e também a conhecer o meu outro blog o "Meu diário espiritual" http://vilminhasouza.blogspot.com
Gostei dessa coincidência de "coisas de mim" com "Coisas de Vilminha", quem sabe as Vilmas, não sejam tão diferentes assim, afinal uma coisa já achei em comum "AMAMOS NOSSOS FILHOS".

ZzabeLinha disse...

Olá Vilma
Que bom foi conhecer o seu blog.
A sua experiência é diferente da minha...
Será que depois da blogagem colectiva podemos continuar a partilhar ideias??

Beijinhos

Isabel

Vilma disse...

Olá Vilminha!
És sempre bem vinda ao Coisas de Mim!
Sente-te em casa!
Sabias que o nome Vilma significa Protectora?
Talvez daí as "coincidências" das nossas vidas!
Um abraço grande e que Deus te abençoe.

Vilma disse...

Zabelinha:
Bem vinda a esta casa!
Tenho acompanhado a blogagem sobre a adopção e tem sido muito bom, pois ao ler outras experiências e partilhas, tem-me ajudado a mim também a crescer e a aprender.
É sempre bom continuar a fazê-lo.
foi uma excelente iniciativa da Georgia!
um abraço e volta sempre! :))

Fábio Mayer disse...

Muita gente diz que blogagem coletiva não tem importância, porque não gera efeitos práticos.

Eu discordo, especialmente com o que representa ESTA blogagem sobre a adoção.

Isso porque, o grande efeito desta blogagem é fazer com que uma pessoa que esteja pensando em adotar, tenha subsídios para decidir pelo sim ou pelo não, em razão do fato de que os muitos post sobre ela, mostram as várias faces da questão.

Agora, não é raro ser adotado ao inverso,como é o seu caso. Tenho uma sobrinha que, apesar de ter mãe, tantas fez para unir a mãe dela ao atual pai adotivo que dizemos que adotou o pai antes mesmo da mãe dar permissão!

Vilma disse...

Fábio: Obrigada pelas tuas palavras e apoio.
Sem dúvida, esta blogagem sobre a adopção foi uma excelente iniciativa.
Acredito que muitos futuros pais adoptivos puderam ficar mais esclarecidos e acima de tudo, ler experiências, para com isso amadurecerem bem este passo.
Quanto a mim também foi muito bom, pois aprendi muito e foi muito positivo o feed back.
Abraços e que DTA:

dácio jaegger & Georgia disse...

"As lágrimas soltaram-se, como uma expressão da minha alegria, por me sentir tão abençoada por aquela filha linda que Deus me deu e por tudo aquilo que através dela, eu aprendo." Vilma, criança pensa em voz alta, esta é a diferença. O mundo dela é a família. Para vivermos no mundo cá de fora precisamos entender que ninguém é de ninguém e que as feras estão soltas, dai o juízo no que vamos exprimir. Quão maravilhoso o diálogo da revelação. Obrigado por partilhar a experiência na Blogagem. Abraço forte, beijinho na filhinha.
PS.
Vc gosta de devaneios? Aceite meu convite para ler algo sobre em: “Foi mais ou menos assim” http://www.palimpnoia.blogspot.com/
Um forte abraço.

Vilma disse...

Obrigada Dácio!
Concordo em absoluto contigo!
Ninguém é de ninguém!
como costuno dizer, os filhos não nos pertencem, eles são-nos entregues para cuidarmos deles, os amar e depois, deixa-los voar.
Nem sempre é fácil, mas é assim.
Obrigada pela sugestão. Irei passar por lá e ler os devaneios. :))
Abraço luso!

Pedro Leal disse...

Gosto destas histórias com final feliz. Obrigado por as partilhares connosco.

Roselee Salles disse...

Parabéns Vilma pelo seu lindo texto. Parabéns pela sensibilidade e sabedoria:a verdade é sempre o melhor caminho. E, Parabéns pela sua filha - é linda; e pelas perguntas e comentários que ela faz é tão inteligente e perspicaz quanto a mãe...
PS. Sou "viciada" em Coisas de Mim, visito-o (o blog) com frequência.

Vilma disse...

Pedro e Rosalee:
Obrigada pelo registo das vossas palavras!
DVA

vitorscarvalho@sapo.pt disse...

Foi por acaso que cheguei ao seu Blog, li este texto e fiquei maravilhado. Parabéns.

Crónicas disse...

Foi por acaso que cheguei ao seu Blog, li este texto e fiquei maravilhado. Parabéns.

INES KAYASHIMA BUSTAMANTE disse...

Querida ! sou filha adotiva . Minha familia é descendente de japoneses porém eu mineirinha entre os olhinhos puxados . Que graça divina ! que amor incondicional !

Mamãe biologica tinha 16 anos qdo ficou gravida e apos o parto sofreu uma terrivel hemorragia e faleceu . Nasceu o bebê - aqui estou - graças a Deus ! com 34 anos .

Coração grato a Ele .

Livre para caminhar sem presunções e justiças proprias . Habitando em mim por Sua imensa misericórdia o Espirito Santo de Deus ensinando-me amar sem medidas . Tudo acontecendo no Caminho ...

Abraços para ti

Com amor

Desde a terrinha do Sol Nascente

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