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quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Não sei!

Começo por reparar que cada vez uso com mais frequência três palavras no meu vocabulário:
Eu não sei!

Parece uma incoerência, mas não é. Deveria saber cada vez mais, mas não.
Mais jovem, tinha as respostas mais na ponta da língua do que hoje.
Mas a verdade é que há medida que vou amadurecendo, que leio mais, que viajo, que observo, apercebo-me que as coisas não são só pretas ou brancas e que nem sempre existem respostas para todas as questões.
Cada vez menos aprecio frases feitas e visões míopes.
Ou classificar as pessoas em categorias em função de determinados conceitos criados pela mente humana.
Pessoas e situações são muito mais complexas do que pensamos ou admitimos.
Tenho as minhas convicções fortes, claro. Mas preciso saber ser flexível.
Não quero levar as coisas à letra, mas sim, para o espírito de vida contida na letra.
E afirmar "Eu não sei" é um processo por vezes doloroso mas saudável.
De certa forma isso demonstra que determinadas paredes que construí à minha volta começam a ruir.
Mas com o tempo, acho que estou a aprender a deixar que determinadas paredes da minha vida caiam.
E ao dizer "Eu não sei" quando nem sempre sei o que dizer, é uma delas.
Porque cada vez menos quero dar respostas com chavões feitos e sim, pensar no que digo.
Não tenho que ter respostas pra tudo e nem saber tudo.
E antes que afirme um chavão, calo-me ou digo: Eu não sei!
Vou derrubando paredes!

8 comentários:

Raquel disse...

O "não sei" faz-nos perceber as nossas ilimitadas limitações. Penso que os "não sei" mais dolorosos, mas saudáveis, como dizes, são aqueles cujas respostas jamais descobriremos por nós, pois pertencem a Deus. Vamos demolir paredes do nosso "Eu", para que o Pai conquiste cada vez mais o nosso ser. Ele nos sossega: "Tu não sabes, mas Eu tudo sei!Confia em mim!"

Cristina disse...

É profundo o que dizes, Vilma.
Como me relaciono muito com adolescentes e jovens, no trabalho da igreja em particular, muitas vezes procuram-me e fazem-me perguntas difíceis. Daquelas que ou dizes uma baboseira qualquer, com base num chavão qualquer que não produzirá fruto, ou então pedes um tempo para pensar até puderes responder alguma coisa que faça sentido.
No entanto, já me aconteceu, mesmo depois de pensar e, por vezes, pesquisar sobre a tal questão difícil, continuar sem ter uma resposta... Nesses casos, sou apologista dum sincero e muitíssimo honesto 'NÃO SEI'.
Beijocas grandes e obrigada por tudo.

JOINCANTO disse...

Eu também não.

Flá Mendes disse...

concordo contigo plenamente, e acrescento que necessitamos de mais coragem para continuar a dizer "não sei".

Lou disse...

É difícil demais. Dizer, simplesmente, eu não sei. Não sei não; o que diriam se descobrissem a verdade?
Você precisa parar de saber. Falas que não sabes e mostras que sabes muito mais. Você é muito sábia. Quanto a mim: eu não sei.

Rubinho Osório disse...

Caem-se as paredes, ampliam-se os horizontes...

Dulce disse...

Conheceste o Sócrates?
O da Grécia, pois claro... Este moderno Sócrates (José) degenerou... :))

Marlene Maravilha disse...

Acho que é uma questão simplesmente de amadurecimento, porque comigo acontece a mesma coisa. Hoje penso muito mais para responder a quaquer assunto, e as vezes, até lucro muito ficando calada, mesmo sabendo e tendo opinião. Muito bom este post querida irmã. Deus te abençoe.

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