Nunca li nenhum livro dele, confesso, mas depois da entrevista, fiquei com alguma curiosidade.
Entre várias coisas interessantes que ele falou, tocou-me especialmente a partilha que ele fez sobre a sua recente doença e em como isso mudou a sua maneira de ver e encarar a vida.
Afirmou ele que, depois de ter passado por tanto sofrimento e ter estado tão próximo da morte, ficou mais receptivo a manifestações de afecto e amizade.
Antes da doença, raramente dizia às pessoas de quem ele gostava, que gostava delas.
E gestos afectuosos, como abraços ou até beijar um homem no rosto, eram impensáveis.
No entanto, hoje beija os seus amigos masculinos, sem qualquer pudor e afirmou que gosta de o fazer.
Passou a valorizar estes pequenos gestos, pois percebeu como foram importantes para ele recebe-los quando esteve doente.
Na verdade, tal como este escritor, são muitas as pessoas que só depois de perceberem o que perderam ou o que estão por perder, começam a dar valor a coisas que parecem insignificantes, mas que têm toda a importância do mundo.
O tempo que damos às pessoas que gostamos, as palavras de amizade que lhes dizemos e os gestos de afecto que lhes manifestamos, um abraço ou até apenas a nossa presença nos momentos oportunos, tudo isso, são coisas que contam para sempre.
Quantas vezes carecemos de ouvir apenas: Eu gosto de ti! És especial para mim! Orei por ti! Sinto a tua falta!
Há muitas maneiras de manifestar o nosso afecto e amor, sejam com palavras ou gestos.
Mas uma coisa é verdade: se guardamos para nós, estamos a deixar de abençoar outro que gostaria de o ouvir e saber.
E deixamos também de ser beneficiados, pois mais abençoado é quem dá do que quem recebe.
Que não seja necessário estar tão perto de perder algo ou alguém para valorizar o que é importante, é o meu desejo.
Mas como se costuma dizer, mais vale tarde, que nunca!