Tenho estado a ler o livro de Apocalipse.
Ontem li a passagem onde Jesus fala à
igreja da Laodicéia.Jesus afirma que aquela igreja é morna.
Pior ainda, uma igreja que achava que não tinha necessidades.
Eles achavam-se prósperos, vitoriosos, fartos.
Mas Jesus diz-lhes que eles eram desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus!
Parecem fortes estas palavras, mas elas tocaram-me.
Aliás, é engraçado que foi nesta carta à igreja da Laodicéia que Jesus me levou até Ele, quando afirma que está à porta e chama e que quem abrir a porta, Ele entrará e ceará com quem abrir.
Agora, volta-me a tocar, porque percebo o quanto é perigoso, para quem confiou a sua vida e o seu viver a Jesus, encontrar-se confortável, sem necessidades e farto.
Perigoso, porque foco o meu esforço, a minha energia e até as minhas habilidades em mim.
Acabo por me sentir responsável por mim mesma e por aqueles que amo, mas baseado no meu próprio esforço!
Não tenho deuses de pedra em altares, mas no meu coração, tenho outros: a segurança no trabalho, na minha saúde, nas coisas que absorvem o meu tempo, nos meus relacionamentos, nos bens materiais, na projecção social, etc.
E com isso, saio fora do alcance da graça de Deus!
Sou eu, e não Cristo, quem controla a minha vida.
Verdadeiramente, Ele não é o Senhor da minha vida, ao ter esse conforto, essa falsa segurança.
A boa vida pode manter-me afastada de uma grande vida na dependência Nele.
Deus deseja que tenhamos uma boa vida, conforto, tudo isso. Mas, não deixando que essas mesmas coisas ocupem o lugar que deveria ser Dele e para Ele.
Creio que hoje, quando olho para mim e para muitos irmãos que neste momento, estão a atravessar várias dificuldades e provações nas suas vidas, vejo isso como o alcance da graça de Deus sobre nós.
Não que Deus se agrade de nos ver passar por certas situações, mas porque Ele as irá usar em nosso benefício.
Aprenderei a saber o que é descansar Nele, depender Dele e entregar a Ele todos os meus esforços, pesos, labor, lutas, pessoas e coisas nas Suas mãos.
Agradeço a Deus por estas circunstâncias, por esta luz que Ele está a trazer ao meu viver.
Apesar de confiar em Deus e amá-Lo intensamente, vejo como ainda estou longe de saber o que é viver em entrega e dependência.
E é isso que Ele pede de mim: entrega, perseverança, fidelidade, intimidade.
Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça o que o Espírito nos está a falar a cada um de nós.