- Ela torcia as caudas aos gatinhos, atropelava patinhos, afogava pintainhos, roubava coelhinhos às mães, atirava pedras aos cães e apertava-lhes o focinho ... enfim!
- Na escola primária recordo-me de acolher a I., que foi rejeitada e posta de lado por todas as colegas na altura do 25 de Abril, porque o pai dela era da Pide.
- Dei o meu ombro à C., que foi posta de lado pelas amigas e colegas porque os seus pais divorciaram-se e naquela altura, como era um escândalo, ninguém queria ser amigo dela.
- Acolhi a extravagante M. que se vestia de uma maneira mesmo fora do comum, que se drogava e bebia, porque no fundo ela queria era um pouco do amor do pai, que não lhe ligava nenhuma e os colegas também a rejeitavam. Quando ela estava sobre o efeito da droga insultava-me e fazia trinta por uma linha, mas sóbria, era no meu ombro que chorava e eu nunca lhe disse que não.
- Ajudei a T. a suportar um aborto que teve que fazer. A dor emocional era muita e ninguém mais a ajudou. Foi comigo que ela desabafou e encontrou forças pra seguir....
E poderia citar mais coisas.
Por vezes, gosto de relembrar estes momentos. Quando penso que sou demasiado confiante nos outros e acabo por sofrer com isso, gosto de pensar que, de alguma forma, pude ajudar alguém.
A vida já me tem ensinado a não ser tão confiante nos outros.
Mas depois penso que acredito que talvez seja essa a razão de eu estar aqui na Terra.
Todos nós temos algo para deixar na nossa passagem por este planeta: uns deixam melhores marcas que outros e quem sabe, esta não seja a minha marca.
No entanto, preciso de aprender a ter a sabedoria de equilibrar as coisas. Conforme Jesus mesmo nos ensinou, é necessário que eu saiba ter a mansidão e a humildade da pomba, mas também a prudência e a sagacidade da serpente.
E no mundo que vivemos, cada vez mais preciso de ter esse são equlíbrio!
Seja como fôr, não quero perder ainda a esperança de que vale a pena continuar a acreditar de que, começando em cada um de nós, se pode fazer alguma diferença na vida de alguém.






Quando o dia amanhece assim, não existem palavras ... apenas este cântico dentro de mim: 



